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Especialistas em comunicação digital criticam formato do Blog do Planalto

Canal da presidência da República erra aos se apresentar como blog porque abdica de recursos próprios à ferramenta, dizem analistas.

Depois de uma estreia tumultuada na segunda-feira (31/8), com problemas de acesso que exigiram a instalação de três novos servidores, o Blog do Planalto teve seu funcionamento estabilizado.

Mas isso não o livrou de continuar a ser alvo de polêmica nas redes sociais durante toda a semana. Proliferam em espaços como o Twitter, blogs e fóruns de discussões críticas ao fato de o canal não interagir com os leitores, algo afetado especialmente por não permitir comentários.

As reclamações não param por aí. A abordagem editorial e a linguagem dos textos são vistas por muitos como peça de propaganda governamental. Como se não bastasse, acaba de surgir na internet um clone do canal da presidência. Aparentemente, o blog replica na íntegra o mesmo conteúdo do original. A diferença é a possibilidade de deixar comentários.

O jornalista e apresentador do programa CQC, da Band, Marcelo Tas, escreveu em sua página na internet que o “Blog do Planalto não é blog nem é do Planalto”. “Estreou, finalmente, o Blog do Planalto, aquele que seria o canal de comunicação direta do presidente com a sociedade. Seria, caro internauta, seria... O Blog do Planalto não é de autoria do presidente”, disse Tas, uma das figuras populares nas mídias sociais no País.

Tas se refere ao fato de o canal se colocar como meio de comunicação da presidência, ou seja, da instituição, e não do presidente. “Por ‘Presidência da República’ entenda-se uma equipe que cuida da ‘imagem’ e de empacotar a ‘opinião’ do presidente”, critica. “Tem mais: o Blog do Planalto não é, acredite, um blog! Afinal, o que é um blog? É um site no qual o autor se expressa de forma direta e em contato e confronto permanente com os comentários dos visitantes. Exatamente como acontece agora, nesse post, no ‘Blog do Tas’ ou em qualquer outro blog.”

Linguagem inadequada

Professora da PUC-SP e doutora em mídias digitais, Pollyana Ferrari engrossa o coro de críticas. “A linguagem adotada nos posts é a da assessoria de imprensa, o que não permite criar proximidade com o leitor”, diz, referindo-se ao que considera tom de autopromoção das ações do governo federal. “O blog adotou um caráter muito oficial, o que é inadequado para esse canal. Parece uma Radiobrás que se quer 2.0”, ironiza Pollyana. Em razão de o projeto ter características como essas, Pollyana afirma que a iniciativa se distancia do conceito dessa ferramenta de comunicação. “Criar um blog que não é blog é complicado”.

Diretora de estratégias na rede da Digital Happenings e professora titular do Departamento de Jornalismo e Editoração da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Beth Saad partilha do mesmo pensamento. “Como escolheram a plataforma de blog, é preciso adotar os princípios dessa ferramenta”, afirma.

Ela faz referência, por exemplo, ao impedimento aos comentários e à falta de recursos de interação e diálogo. “A iniciativa é boa e conduzida por gente séria. Mas ficou a sensação de que eles tiveram de se submeter a limitações políticas e tecnológicas. Essa incoerência é um problema”, diz.

A impossibilidade de comentários foi motivada pelo receio da Secretaria de Comunicação Social (Secom), órgão encarregado do blog, de que a disputa político-partidária fosse levada para o novo canal. “Se optaram pela não abertura de comentários, pelo menos deveriam deixado isso claro para o leitor, dar alguma explicação no blog”, reforça.

Tom ufanista

Sobre a linguagem utilizada, Beth avalia que é compreensível o uso de um tom formal nos textos, pois se trata de um canal da presidência da República. “Mesmo assim, não deveria utilizar a linguagem de jornal impresso, com estrutura baseada em lead, por exemplo”, diz, citando jargão jornalístico para denominar o começo das matérias. ‘Outro problema é que o recorte editorial é ufanista. Não permite fugir da ideia de que é propaganda do governo. Para ser blog, teria de utilizar os recursos de um blog, como uma linguagem coloquial e espaço para a participação”, afirma.

O aspecto ruim de o projeto ser apresentado como blog, mas não ter as características de tal ferramenta, é criar uma expectativa do leitor de algo que não será atendido. “Como um projeto como esse foi chamado de blog, o internauta espera encontrar determinadas situações ali, como a participação efetiva. Ao não encontrar, ele se frustra. O grande volume de críticas nas redes sociais decorre justamente do fato de que o Blog do Planalto quebrou as regras do blog”, analisa Beth Saad.

“O barulho em torno do assunto é ampliado em razão de se tratar de uma ferramenta que está no contexto das redes sociais. Assim, o internauta mais conectado é o primeiro a visitar e a comentar o projeto. E esse público, compostos pelos ‘interneteiros’, é mais crítico que a média da população em assuntos ligados à internet”, analisa Beth.

Procurada pela reportagem do IDG Now!, a Secom preferiu não se pronunciar. Alegou que sua posição está no post publicado no Blog do Planalto na terça-feira ( 2/9)

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(http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/09/04/especialistas-criticam-formato-do-blog-do-planalto)
Por Clayton Melo , do IDG Now!
Publicada em 04 de setembro de 2009 às 10h02
Atualizada em 04 de setembro de 2009 às 13h01



 
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